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Relatório do Web Summit expõe barreiras para a permanência de mulheres na tecnologia

Pesquisa global divulgada em outubro reúne relatos de desigualdade e sobrecarga; presença em cargos de liderança convive com intenção de sair do setor.

Por Mallu Rozas · · 3 min de leitura

A presença de mulheres em posições de liderança não encerra os obstáculos à permanência no mercado de tecnologia. Relatório divulgado pelo Web Summit em 27 de outubro mostra que 42% das participantes consideraram reduzir a jornada, deixar funções de liderança ou sair do setor. Entre as entrevistadas de 35 a 44 anos, o percentual chega a 52%.

O Gender in Tech reúne experiências da comunidade global de mulheres ligada ao evento e foi apresentado antes da edição de Lisboa. Os resultados também foram publicados pelos canais do Web Summit Rio, cuja próxima conferência está marcada para 14 a 17 de junho de 2027, no Riocentro.

Adriana Barbosa, do ecossistema Feira Preta, no Web Summit Rio 2025.
Adriana Barbosa, do ecossistema Feira Preta, no Web Summit Rio 2025. Foto: Vaughn Ridley / Web Summit via Sportsfile. Imagem de arquivo, reduzida e sem corte. Origem · CC BY 2.0

Liderança convive com relatos de desigualdade

Na pesquisa, metade das participantes relatou vivenciar sexismo, e 58% disseram não receber uma remuneração justa em comparação com homens. Ao mesmo tempo, 84% afirmaram haver mulheres em posições de liderança nas empresas em que trabalham.

Os dados descrevem dimensões distintas da experiência profissional. Encontrar mulheres em cargos de decisão não significa, por si só, que as condições de remuneração, reconhecimento e permanência estejam equilibradas. O levantamento coloca essas respostas lado a lado.

As conclusões se referem às participantes da comunidade pesquisada. Não devem ser convertidas automaticamente em percentuais de todas as profissionais de tecnologia ou de um país específico. Esse limite acompanha a leitura dos resultados e das questões que eles levantam.

Inteligência artificial ainda não aparece como solução suficiente

O relatório também investigou a percepção sobre o efeito da IA na igualdade de gênero. Para parte das participantes, o impacto positivo esperado ainda não se tornou visível na experiência de trabalho. A presença de novas ferramentas, portanto, não elimina por si mesma os obstáculos descritos pelas entrevistadas.

Essa relação ajuda a situar o debate sobre inovação. Uma tecnologia pode mudar tarefas e processos sem resolver questões de remuneração, reconhecimento ou divisão de responsabilidades. São problemas que também dependem de decisões sobre a organização do ambiente profissional.

O levantamento não apresenta a saída do setor como experiência única de todas as participantes. Ele registra, porém, uma intenção relevante de reduzir a presença ou mudar de trajetória, mesmo em uma comunidade com mulheres atuando em posições de liderança.

Taís Araújo, Laura Vicente e Marcelo Zimet nos bastidores do Web Summit Rio 2025.
Taís Araújo, Laura Vicente e Marcelo Zimet nos bastidores do Web Summit Rio 2025. Foto: Vaughn Ridley / Web Summit via Sportsfile. Imagem de arquivo, reduzida e sem corte. Origem · CC BY 2.0

Comunidade feminina também integra o encontro no Rio

Na edição carioca de 2026, 43% das startups tinham uma mulher entre suas fundadoras, segundo a organização. O programa Women in Tech apresenta iniciativas de comunidade, aprendizado e aproximação profissional, incluindo espaços de encontro durante a conferência.

A existência desses formatos permite acompanhar uma segunda dimensão do tema: além da entrada no mercado, a construção de relações e oportunidades para continuar nele. O relatório global coloca a permanência entre as questões centrais dessa conversa.

Para 2027, o calendário do Web Summit Rio já está definido, mas a programação terá seus próprios anúncios. Os resultados divulgados em outubro acrescentam contexto ao próximo ciclo de debates: ampliar a presença de mulheres é parte do desafio; compreender as condições que as fazem considerar a saída também precisa entrar na discussão sobre o futuro da tecnologia.

O programa também mantém um cadastro para interessadas em sua comunidade.

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